Que tipo de lembrança você guarda das instituições educativas pelas quais já passou? Eu passei por boas e más
experiências. É claro que o segundo tipo de experiência costuma marcar mais,
mesmo sendo em menor número, podem ter um maior significado. Assim, tenho
encarado bem as más experiências, não no sentido de não me incomodar com elas,
mas de ver elas como um aprendizado. Com certeza não é uma boa maneira de
aprender, nem julgo isso necessário, mas dependendo do caso e das circunstâncias
em que se vive, se faz necessário. No caso da universidade tive de aprender algumas
coisas a custo de algumas más experiências. Em duas ocasiões e contextos
diferentes um professor me disse para não perder meu tempo com as disciplinas,
não se preocupar com boas notas, mas se centrar na pesquisa, no conhecimento e
investigação daquilo que interessa, pois é assim que se desenvolve a prática da
leitura atenta, da escrita e, por conseguinte, do discurso filosófico. É claro
que o professor em questão estava tentando me convencer de que aquele conteúdo
era universalmente motivador para toda espécie humana e não somente para ele. Dizem que se conselho fosse bom não se daria
de graça. Mas não se trata de “conselho” bom ou ruim, a não ser quando não
levamos em conta quem está falando. Aí o problema não é o “conselho” ou o
“conselheiro”, mas a ingenuidade de quem recebe estas informações acerca do
modo de vida de alguém como conselhos universalmente válidos. Bem. Na outra
ocasião, em outra conversa e com outro professor, falávamos sobre as
dificuldades do trabalho acadêmico, as burocracias e o tempo perdido com falsos
problemas etc. O professor falava sobre a importância de não perder tempo com
burocracias, se necessárias, livra-te logo delas. Definitivamente esse é um
problema, pois ao invés de me livrar do mal necessário, fico procrastinando e
termino por me ocupar mais com aquilo do que o necessário e suficiente. Isso
não é perfeccionismo. É burrice estratégica mesmo. Esse mesmo professor, quando
conversávamos sobre política, disse que hoje a questão não está mais na
ocupação de espaço, como o faz a esquerda tradicional, mas na ocupação do tempo
(Nas próximas postagens falarei sobre isso e sobre a estratégia dos liberais em
relação às plataformas tecnológicas que dão suporte às redes sociais). Então se
o sujeito não quer se deixar vencer por essa lógica, é preciso resistir a esse
trabalho de convencimento, é necessário certo cuidado para não se deixar
absorver e deixar de lado aquilo que realmente interessa. Enfim. Isso, ao meu
modo, estou compreendendo agora.
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